Direção: Eric BrevigRoteiro: Michael Weiss, Michael D. Weiss, Mark Levin e Jennifer Flackett, baseado em livro de Júlio Verne
Elenco: Brendan Fraser, Josh Hutcherson e Anita Briem
A tecnologia 3D, aquela que dá uma sensação de interatividade do telespectador com a película a ser exibida e que precisa daqueles óculos especiais para ser sentida, teve o seu grande debut em 2008. Porém, a escolha para essa estréia não poderia ter sido mais infeliz.
VIAGEM AO CENTRO DA TERRA – O FILME (mania que esse povo tem de colocar esse complemente desnecessários) é uma releitura do original de Júlio Verne e da primeira versão datada de 1959. Embora muitos digam que é uma refilmagem, eu discordo já que a premissa deste filme de 2008 parte de uma idéia válida: incentivar a geração atual ler o livro de Verne.
Brendan Fraser faz um geólogo que encontra, no meio dos objetos de seu irmão desaparecido, anotações em uma edição do clássico verniano Viagem ao Centro da Terra. Como as anotações casam com sua pesquisa sobre abalos sísmicos, o geólogo desconfia que o irmão descobriu - assim como Júlio Verne - um caminho para o núcleo do planeta. Junto com seu sobrinho e na companhia de uma guia islandesa, o trio parte em viagem rumo ao desconhecido e que promete muita aventura.
Promessa que não se cumpre, óbvio. Primeiro que Brevig não é diretor. Esse é seu filme de estréia e o cara, anteriormente, fora supervisor de efeitos especiais de obras como O DIA DEPOIS DE AMANHÃ e A ILHA. Isso diz muito já que ele se esquece de uma coisa básica de um filme: o conflito que gerará o interesse na obra. Ele se concentra apenas em como explorar a tecnologia 3D. Desta maneira, as cenas só existem para justificar o orçamento em cenas tolas e idiotas, que não empolgam em momento algum.
Quando eu falo que as cenas de ação não empolgam, é realmente verdade. Os diálogos são compostos de frases de efeito que não possuem uma razão de ser e a construção das pretensas cenas de aventura deixam aquela sensação de que poderia ter sido melhor explorado.
Não pense você que a obra de Julio Verne resume-se naquele conceito boboca que o filme apresente. No livro, há conflito entre cientistas rivais, há drama, há aventura legítima. O trio de protagonistas do filme não sustentam uma única cena e os possíveis conflitos são rapidamente resolvidos em trinta minutos de projeção.
Sinceramente, a tecnologia 3D poderia ter sido melhor lançada e escolhido um filme que realmente justificasse tal uso.











