Monday, November 17, 2008

Rei Arthur (King Arthur, EUA, 2004, 130 min.)

Direção: Antoine Fuqua
Roteiro: David Franzoni
Elenco: Clive Owen, Ioan Gruffuld e Keira Knightley

Hollywood vive uma onda de repaginação de mitos e heróis. Acho que essa coisa toda começou com o BATMAN BEGINS, o que, por sinal, foi um ótimo resultado. Mas nem todas reimaginações das personagens conseguiram resultados favoráveis. Um exemplo disso, foi o que aconteceu com o REI ARTHUR. Ah, cabe lembrar que se trata de um épico.
Como eu já havia escrito na crítica de TRÓIA, épicos são épicos e não há muita variação no estilo. Então, pode esperar trilha sonora que sobe nos momentos dramáticas e permeiam, praticamente, todas as cenas. Haverá uma câmera lenta acompanhando uma luta bem coreografada e sangrenta. O tradicional discurso do general na frente de seu exército. Os berros agudos da tropa que, sinceramente, nunca entendi o real motivo deles. No entanto, o diferencia um épico do outro são os detalhes que compõem a obra. A caracterização e o aprofundamento das personagens, um bom texto e uma certa estilização técnica. Tudo isso falta em REI ARTHUR.
O filme parte da premissa de que esta é a real história do bretão Arthur, que teria dado origem ao mito do rei de Camelot e seus lendários cavaleiros. Arthur (Clive Owen) é um líder relutante, que deseja deixar a Bretanha e retornar a Roma para viver em paz. Porém, antes que possa realizar esta viagem, ele parte em missão ao lado dos Cavaleiros da Távola Redonda, formado por Lancelot (Ioan Gruffudd), Galahad (Hugh Dancy), Bors (Ray Winstone), Tristan (Mads Mikkelsen) e Gawain (Joel Edgerton). Nesta missão Arthur toma consciência de que, quando Roma cair, a Bretanha precisará de alguém que guie a ilha aos novos tempos e a defenda das ameaças externas. Com a orientação de Merlin (Stephen Dillane) e o apoio da corajosa Guinevere (Keira Knightley) ao seu lado, Arthur decide permanecer no país para liderá-lo.
O diretor Fuqua é competente e já provou isso em filmes como DIA DE TREINAMENTO. Mas, neste, ele é apenas uma marionete na mão do produtor Jerry Bruckheimer. O produtor é praticamente o Midas da Hollywood atual e responsável por franquias de sucesso, tanto na TV como no cinema (PIRATAS DO CARIBE e CSI são dele). Com isso, Fuqua teve pouca, ou nenhuma, chance de imprimir sua personalidade ao longa.
O resultado é pífio e desnecessário. Talvez, o único grande momento da obra seja a tão comentada luta sobre um lago congelado. É realmente impressionante e de tirar o fôlego. O resto da película é totalmente esquecível. O velho discurso a respeito da liberdade dos povos funcionou tão bem em CORAÇÃO VALENTE (que eu não gosto, mas isso é por causa do gênero e não pelos méritos da produção), em REI ARTHUR soa falso e desconexo. Não há porque acreditar nisso e não há um embarque na história. Depois de um tempo, até esquecemos que estamos diante do mito de Arthur.
Somente mais uma observação: os atores, até mesmo os mais desconhecidos, não comprometem o longa e entregam interpretação eficientes.
Confesso que foram os 130 minutos mais desperdiçados do meu precioso tempo ultimamente.

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